Bastidores
Trabalhar até tarde, vender bem e mesmo assim não ver dinheiro sobrar. Se essa é a sua rotina, o problema não é esforço — e eu vou te dizer qual é.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 4 min
Eu vou descrever uma rotina e você me diz se reconhece.
Acorda cedo. Produz o dia inteiro. Responde cliente no intervalo. Entrega à noite. Deita pensando na encomenda de amanhã. No sábado, produz. No domingo, produz um pouco menos e se sente culpada por isso.
E no fim do mês, quando você olha a conta, não tem quase nada.
Se você reconheceu, eu preciso te dizer uma coisa que talvez ninguém tenha te dito ainda: isso não é falta de esforço. Você já está no limite do esforço. O problema é outro.
Essa é a confusão que destrói mais negócios de alimentação do que qualquer crise.
O dinheiro entra. Você vê o valor no aplicativo do banco e ele parece bom. Aí você paga o fornecedor, paga a embalagem, paga a energia, paga o gás, tira um pouco para as compras de casa, paga a conta que venceu.
E não sobrou.
O que aconteceu não é mistério. É que aquele valor que entrou nunca foi seu. Uma parte dele já pertencia ao ingrediente antes mesmo de você vender. Outra parte pertencia às contas fixas. E uma parte deveria ser o seu salário — que quase nunca é calculado, e por isso vira “o que sobrar”.
O problema é que, quando o seu salário é “o que sobrar”, ele nunca sobra.
Essa é a frase que eu mais repito, e ela incomoda.
Um negócio que só consegue pagar as contas porque quem toca o negócio trabalha de graça não é um negócio viável. É um negócio subsidiado por você.
Ele parece funcionar. Ele até cresce. Mas ele está escondendo um custo real: o custo da sua mão de obra. E no dia em que você precisar contratar alguém para fazer o que você faz — porque adoeceu, porque teve um filho, porque simplesmente cansou — a conta vai aparecer inteira de uma vez.
Essa é a melhor notícia deste texto.
A saída para “trabalho muito e não sobra dinheiro” quase nunca é trabalhar mais. Na maioria dos casos que eu vejo, a pessoa já está trabalhando além do que deveria.
A saída é saber os números. Três, especificamente:
Não é sobre produzir mais. É sobre parar de produzir no escuro.
Muda que você para de aceitar encomenda que dá prejuízo achando que está “fazendo volume”.
Muda que você para de baixar preço por insegurança.
Muda que você consegue dizer não com tranquilidade, porque sabe exatamente o que aquele sim ia te custar.
E muda que você passa a se pagar. Todo mês. Com valor definido e data marcada, como qualquer profissional que trabalha e é remunerado por isso.
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