LIÉGE CRIVELLARO

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Preço, custo e lucro

O medo de aumentar preço custa mais caro que o próprio aumento

O medo de aumentar preço é quase sempre maior que a reação real do cliente. Eu explico o que faz um reajuste funcionar e o que faz ele dar errado.

Por Liége Crivellaro  ·  Leitura de 4 min

O medo de aumentar preço é o medo mais caro que existe em negócio de alimentação.

Ele custa exatamente a diferença entre o preço que você pratica e o preço que deveria praticar, multiplicada por todos os produtos que você vendeu desde a última vez que teve coragem.

E eu falo isso com carinho, porque eu já tive esse medo também.

O que o cliente realmente percebe

Aqui vai algo que a experiência ensina e o medo esconde: o cliente é muito menos sensível a preço do que a gente imagina, e muito mais sensível a inconsistência.

Ele não vai embora porque o bolo subiu três reais.

Ele vai embora quando o bolo de hoje é menor que o da última vez. Quando a cobertura mudou sem aviso. Quando ele nunca sabe quanto vai pagar porque cada orçamento vem diferente. Quando a embalagem hoje é bonita e no próximo pedido é qualquer coisa.

O que quebra a confiança não é o preço. É a sensação de que não existe critério.

Reajuste bom x reajuste ruim

Eu vejo duas formas muito diferentes de aumentar preço.

A que dá errado: aumentar de repente, sem mexer em mais nada, sem avisar, geralmente porque o desespero bateu no fim do mês. O cliente sente que está pagando mais pelo mesmo. Ele não está errado.

A que funciona: aumentar junto com alguma coisa. Uma embalagem melhor. Uma descrição nova no cardápio. Uma foto decente. Uma gramatura declarada. Uma organização que o cliente percebe.

Não precisa ser grandioso. Precisa ser perceptível.

O reajuste não é um evento isolado — é parte de um movimento de posicionamento. E movimento de posicionamento, cliente entende.

O truque de não fazer tudo de uma vez

Se você descobriu que vários produtos estão com o preço defasado, resista à vontade de corrigir o cardápio inteiro em um dia.

Faça em ondas. Comece pelos produtos que vendem mais — porque são eles que mais impactam o resultado — e observe o comportamento por algumas semanas.

Você vai descobrir duas coisas quase sempre: a reação foi menor do que você esperava, e algum cliente reclamou enquanto a maioria nem comentou.

Esse aprendizado é o que dá coragem para a segunda onda.

E se alguém for embora?

Alguém vai. É honesto dizer isso.

Mas repare em quem vai. Quase sempre é o cliente que pede desconto todo pedido, que negocia cada centavo, que dá mais trabalho e deixa menos.

Perder esse cliente e ganhar margem nos outros costuma ser um ótimo negócio — só que ninguém conta isso.

O que você não pode fazer é continuar com um preço que não paga o seu trabalho por medo de perder alguém que talvez nem esteja te ajudando a pagar as contas.

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