Bastidores
Voltei para uma cidade onde não conhecia mais ninguém, montei um delivery na cozinha dos meus pais e faturei mais de dez mil reais por mês durante três anos.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 5 min
Em 2020 eu voltei para a minha cidade. Depois de oito anos morando fora, eu não conhecia mais praticamente ninguém ali.
E era pandemia.
Eu montei um delivery na cozinha da casa dos meus pais. Sem ponto comercial, sem equipe, sem rede de contatos, sem nada além do que eu sabia fazer e do que eu tinha estudado.
Durante três anos, esse delivery faturou mais de dez mil reais todos os meses.
Essa é a parte que costuma surpreender.
Eu não tinha audiência. Não tinha influenciador amigo. Não tinha orçamento de anúncio relevante.
O que eu tinha era um cardápio bem desenhado.
E quando eu digo bem desenhado, não é sobre design bonito. É sobre um cardápio pensado como estrutura: com produtos que se apoiavam uns nos outros, ingredientes que se repetiam entre receitas, itens com função definida — um para atrair, um para aumentar o pedido, um para sustentar a margem — e preços que fechavam a conta.
Eu tinha formação em gestão de negócios de alimentação e já tinha passado por lugares onde vi de perto o que funciona e o que não funciona.
Então, antes de fazer o primeiro doce para vender, eu já sabia três coisas:
Que o cardápio precisava ser pequeno. Cozinha de casa, uma pessoa só, produção e entrega no mesmo dia. Não dava para ter trinta itens — e a boa notícia é que eu não precisava.
Que os ingredientes precisavam se repetir. Uma lista de compras curta, comprada em volume, com pouquíssimo desperdício. Isso não é economia mesquinha, é o que viabiliza margem em operação pequena.
Que eu precisava saber a minha meta. Não “quero vender bastante”. Um número. Porque sem número você está dirigindo sem rumo.
Essa conta mudou a minha cabeça, e eu repito ela sempre.
Dez mil reais por mês parece enorme. Mas dez mil reais por mês são apenas dez vendas de trinta e quatro reais por dia.
Isso parece impossível?
Pode não ser fácil no início. Mas é muito possível — e é uma meta que cabe na cabeça, que dá para acompanhar diariamente e que te diz, ainda no dia 10, se o mês está indo bem ou não.
Meta grande demais paralisa. Meta dividida vira rotina.
Duas coisas.
A primeira é que estrutura pequena não é impedimento. Muita gente adia começar esperando ter cozinha própria, equipe, equipamento. Eu comecei na cozinha dos meus pais, e ela deu conta.
A segunda é que o que sustenta um negócio de alimentação não é a comida boa. A comida boa é o mínimo. O que sustenta é a estrutura por trás: cardápio pensado, custo conhecido, meta clara.
Eu sei fazer isso acontecer de novo. E foi por isso que eu resolvi organizar tudo o que eu aprendi para dividir com quem precisa aprender.
Monte um cardápio que trabalha a favor do seu negócio.
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