LIÉGE CRIVELLARO

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Vale a pena vender no iFood? O erro de conta que quase todo mundo comete

Aplicativo traz volume e cobra caro por ele. Eu explico o que precisa estar resolvido antes de entrar, e o erro de conta que quase todo mundo comete.

Por Liége Crivellaro  ·  Leitura de 5 min

Aplicativo de delivery é uma das melhores ferramentas de aquisição de cliente que já existiram para negócio de alimentação. Ele coloca você na frente de gente que nunca ouviu falar de você, sem que você precise construir audiência.

E ele cobra muito caro por isso.

As duas frases são verdade ao mesmo tempo. O que decide se o app vai ser bom ou ruim para você não é o app — é se você fez a conta antes de entrar.

Primeiro: a taxa não é a que você acha

Quase todo mundo olha o percentual do plano contratado e para por aí.

Mas existem outras cobranças que se somam: taxa de pagamento online, taxa de antecipação de repasse, e outras pequenas linhas que aparecem na fatura.

Um plano que você conhece como 27% pode facilmente virar 30% quando você soma tudo.

E esses três pontos percentuais que você não contou saem exatamente de onde? Da sua margem.

Antes de qualquer coisa: abra a sua última fatura e some tudo. Não a proposta comercial. A fatura.

Segundo: o erro de conta que quase todo mundo comete

Esse é o mais comum que eu vejo, e ele é matemático.

A pessoa vende um produto por R$ 40,00 no cardápio próprio. Sabe que o app fica com 30%. Então ela coloca R$ 52,00 no aplicativo — R$ 40,00 mais 30%.

Só que 30% de R$ 52,00 são R$ 15,60. Ela recebe R$ 36,40.

Quase quatro reais a menos do que precisava, em cada venda, todos os dias.

Somar a taxa ao preço não devolve o valor. O percentual incide sobre o preço final, e por isso o cálculo precisa ser feito ao contrário — partindo do que você quer receber.

Parece um detalhe. Em cem pedidos no mês, são quatrocentos reais.

Terceiro: produto barato sozinho não sobrevive no app

Um brigadeiro de quatro reais, vendido em um aplicativo que cobra 30% e com uma entrega de oito reais, é matematicamente inviável.

No delivery, o raciocínio muda de produto para pedido. O que precisa ser saudável não é cada item isolado — é o ticket médio.

Por isso, no aplicativo, combo não é criatividade de marketing. É condição de sobrevivência do canal.

O mesmo vale para quantidade mínima, para adicionais e para o produto pensado especificamente para aumentar o pedido.

E a entrega grátis?

Entrega grátis não é grátis. Alguém paga — e normalmente é você.

Isso não significa que não se deve oferecer. Significa que precisa ser uma decisão consciente, com o custo embutido no preço ou com uma regra clara, como valor mínimo de pedido.

O que não funciona é oferecer entrega grátis porque o concorrente oferece, sem saber quanto aquilo está custando por venda.

Então vale a pena?

Vale, se três coisas estiverem resolvidas: você sabe o custo real dos seus produtos, você calculou o preço do app partindo do valor que precisa receber em vez de somar a taxa, e você tem uma estratégia de ticket em vez de depender de vender item barato sozinho.

Sem isso, o aplicativo vira uma máquina de gerar volume e consumir margem. Você trabalha muito, o movimento parece ótimo e o resultado não aparece.

Com isso, ele vira exatamente o que promete ser: um canal que te apresenta a clientes que você nunca alcançaria.

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