Cardápio
McDonald’s, Starbucks e Cacau Show usam técnicas de cardápio que funcionam igualmente bem em um negócio pequeno. Estas são as que eu mais recomendo.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 5 min
Existe uma coisa curiosa nas grandes redes: elas não fazem nada de secreto.
Tudo que elas fazem está visível, todos os dias, na frente de todo mundo. A diferença é que elas fazem de propósito e com consistência, enquanto a maioria dos negócios pequenos faz por acaso ou não faz.
E quase tudo dá para copiar amanhã, sem investimento nenhum.
Em uma rede grande, nenhum item está no cardápio por gosto pessoal de alguém. Cada um tem papel.
Tem o produto que existe para atrair: barato, conhecido, fácil de pedir. Ele traz a pessoa.
Tem o produto que existe para acompanhar: a bebida, o adicional, o item pequeno. Ele aumenta o pedido com custo baixo.
Tem o produto sazonal: aparece, cria urgência, some. Ele traz a pessoa de volta.
E tem o produto que existe para sustentar a margem: o carro-chefe, o mais caro, o que aparece grande na foto.
A pergunta que vale para o seu cardápio: qual é a função de cada item que está lá? Se algum não tem resposta, esse é o item para revisar primeiro.
A Cacau Show faz isso de forma exemplar: sempre tem o chocolate do balcão, a flor, a sacola, o cartão presente.
O item de fechamento tem duas características obrigatórias: precisa ser interessante para o cliente e não pode fazer diferença relevante na conta dele.
Cada um desses parece pequeno demais para importar. E ao fim do mês eles fazem diferença real no faturamento — justamente porque acontecem em quase todo pedido.
“Quer mais alguma coisa?” é a pergunta que recebe “não” como resposta padrão.
Compare com:
Específico, com valor claro e pequeno em relação ao pedido. É esse o padrão.
Repare que isso não é venda agressiva. É facilitar uma decisão que o cliente tomaria se soubesse que existia.
Nas redes grandes, o produto que eles querem vender está no lugar certo: no começo, no centro, com foto grande, com selo.
Não é o produto que eles gostam mais. É o que eles querem que você compre.
No seu cardápio, isso significa uma decisão consciente: qual item merece a melhor posição? Provavelmente não é o mais barato nem o mais recente — é o que combina boa margem com bom apelo.
Essa é a menos glamourosa e talvez a mais importante.
Grandes redes mantêm o cardápio estável por longos períodos. Isso permite ter histórico, comparar desempenho, treinar equipe, prever demanda e comprar melhor.
Negócio pequeno costuma fazer o oposto: muda item toda semana, testa sabor novo todo mês, responde a cada pedido de cliente.
Sem cardápio fixo você nunca vai saber o que funciona, porque nunca dá tempo de medir.
Nada disso depende de orçamento, de equipe ou de tecnologia. Depende de intenção.
Você pode aplicar as cinco coisas em uma tarde, com o cardápio que já tem. E provavelmente vai ver diferença antes do fim do mês.
Monte um cardápio que trabalha a favor do seu negócio.
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