Preço, custo e lucro
Vender mais nem sempre significa ganhar mais. Entenda por que faturamento alto pode conviver com caixa vazio em negócio de alimentação.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 4 min
Mês cheio. Agenda lotada. Você recusou pedido porque não cabia mais.
E aí chega o dia 30, você olha a conta, e não tem nada lá.
Essa é uma das situações mais frustrantes que existem — e uma das mais comuns. Ela tem explicação, e a explicação quase nunca é “você gastou demais”.
Aqui está o ponto central: vender mais não corrige margem ruim. Vender mais multiplica a margem que você tem.
Se cada produto seu deixa pouco, vender o dobro significa trabalhar o dobro para continuar deixando pouco — só que agora com mais cansaço, mais compra, mais embalagem e mais risco.
É por isso que existe aquele fenômeno estranho de negócios que pioram quando crescem. Não é azar. É matemática.
Volume é um multiplicador. Se o número que ele multiplica é pequeno, o resultado continua pequeno.
Em quase todos os casos que eu acompanho, o dinheiro está em três lugares:
No custo do produto que ninguém calculou direito. Ingrediente com perda, embalagem esquecida, pré-preparo estimado no olho. Cada produto sai um pouco abaixo do que deveria custar, e “um pouco” vezes trezentas vendas é bastante.
No mix. Você vendeu muito — mas vendeu muito do produto errado. Os itens de margem apertada dominaram o mês, e os rentáveis ficaram parados.
Nas retiradas sem critério. Um pouco aqui, um pouco ali, misturando conta pessoal e conta do negócio. No fim do mês ninguém sabe quanto foi salário, quanto foi lucro e quanto foi só saída.
Tem uma armadilha nisso tudo: mês de alta demanda costuma disfarçar margem ruim.
Páscoa, Dia das Mães, Natal. Entra dinheiro suficiente para pagar tudo, então parece que está funcionando.
Aí vem fevereiro, ou agosto, e a estrutura aparece. Sem o volume extra, a margem apertada fica visível — e o mês fecha no vermelho.
Quem só olha o resultado nos meses fortes nunca descobre que o problema estava lá o tempo todo.
Se você se identificou, a sequência que eu recomendo é essa — e a ordem importa.
Primeiro, o custo. Pegue os cinco produtos que mais vendem e descubra quanto eles custam de verdade, com tudo dentro. Só isso já costuma explicar boa parte do mistério.
Segundo, o mix. Descubra quais desses cinco deixam mais e quais deixam menos. Não é raro que o campeão de vendas seja o pior em margem.
Terceiro, o número do negócio. Quanto precisa entrar por mês para pagar tudo, incluindo você.
Só depois disso faz sentido pensar em vender mais. Porque aí o volume vai multiplicar um número que vale a pena multiplicar.
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