Cardápio
Nem todo produto merece continuar. Estes são os critérios que eu uso para decidir o que fica, o que muda e o que sai.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 4 min
Tirar produto do cardápio dói.
Normalmente é um produto que você gosta, que já foi bem um dia, que alguma cliente adora, ou que você criou com carinho.
Mas cardápio não é álbum de memórias. É a ferramenta que decide quanto o seu negócio ganha.
Esse é o caso mais simples. Produto que não vende e não dá margem não tem defesa.
Na engenharia de cardápio, esse é o produto conhecido como abacaxi. E o custo dele não está apenas no espaço do cardápio: ele ocupa espaço no estoque, na lista de compras, na cabeça da equipe e no tempo de produção.
Esses devem ser reconhecidos rápido e removidos.
Ingrediente exclusivo é caro em três frentes: compra separada, risco de vencer e capital parado.
Se o produto que justifica aquele ingrediente não vende bem, a conta não fecha — mesmo que a margem unitária dele pareça boa.
Antes de cortar, vale a pergunta inversa: dá para criar um segundo item usando o mesmo ingrediente? Às vezes a solução não é tirar, é aproveitar melhor.
Esse é o critério que quase ninguém considera, e ele é decisivo.
Um produto pode vender bem, ter boa margem e ainda assim ser um problema: porque ocupa o forno no horário de pico, porque só uma pessoa sabe fazer, porque exige três etapas que atrapalham todo o resto, porque não pode ser produzido com antecedência.
Seus produtos precisam ser viáveis na visão geral da empresa, e não apenas no gosto do cliente. Os que não forem devem sair — mesmo com bons números.
Antes de cortar um produto com boa margem e pouca venda, vale tentar. Muitas vezes o problema não é o produto: é a vitrine.
Teste, com prazo:
Se depois de três tentativas reais nada mudou, aí sim você tem informação para tirar. E vai tirar sem dúvida, que é diferente de tirar por impulso.
Um teste prático e quase infalível: tire o produto por duas semanas, sem anúncio nenhum.
Se ninguém perguntar, se o faturamento não se mexer, se a sua rotina ficar mais leve — você tem a resposta.
Se três clientes procurarem no primeiro dia, você também tem.
Existe um caso em que vale manter um produto de baixo desempenho: quando ele viabiliza a compra de um grupo.
A opção sem glúten, sem lactose, a opção infantil, a bebida que ninguém pede mas que faz a família inteira escolher você.
Esse produto não é abacaxi. Ele é serviço, e o retorno dele aparece no pedido do lado.
Mas classifique com honestidade. Nem todo produto ruim tem essa desculpa.
Monte um cardápio que trabalha a favor do seu negócio.
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