Preço, custo e lucro
Existem custos que não aparecem na conta e comem a margem todo mês. Eu mostro onde eles se escondem e como colocá-los na conta.
Por Liége Crivellaro · Leitura de 5 min
Tem uma categoria de custo que quase nunca entra na conta: os que não parecem custo.
Eles não vêm com nota fiscal chamativa, não doem no momento da compra e não aparecem em nenhuma planilha. Mas eles saem do seu bolso, todo dia, em cada pedido.
Vou listar os que eu mais encontro.
Você compra um quilo de morango. Lava, tira as folhas, descarta os machucados. Sobra 850 gramas para usar.
Você pagou por mil e usou 850. Mas na hora de calcular o custo do produto, quase todo mundo usa o preço do quilo cheio.
Isso vale para a casca da cebola, a gordura da carne, a aparação do bolo para nivelar, o talo do brócolis, a redução do molho no fogo.
É dinheiro que você comprou e não vendeu. Existe até um nome técnico para isso, e existe uma forma simples de medir — mas o primeiro passo é apenas perceber que existe.
A caixa quase todo mundo lembra. O resto, não.
A sacola. A fita. A tag. O adesivo. O papel manteiga. O guardanapo. A colher. O sachê. O gelo em gel no verão.
Some tudo isso e é comum passar de cinco reais por pedido. Em cento e cinquenta pedidos no mês, são setecentos e cinquenta reais que precisam estar dentro dos seus preços — ou vão sair de você.
E tem um agravante: embalagem não é despesa fixa. Ela cresce com a venda. Quanto mais você vende, mais ela custa. Ela pertence ao custo do produto, não à conta do mês.
Aquele brigadeirinho de cortesia. O bilhete escrito à mão. A florzinha. O brownie de brinde para o cliente fiel.
Eu não sou contra nada disso — mimo bem feito fideliza e gera indicação.
Mas mimo automático em todo pedido não é gentileza pontual, é custo fixo por venda. E ele precisa estar calculado como qualquer outro item.
Vale a pergunta honesta: esse mimo está gerando retorno, ou virou hábito que ninguém revisou?
A fornada que não deu certo. O bolo que rachou. A cobertura que talhou. O pedido que saiu errado e voltou.
Isso acontece em todo negócio de alimentação, e é normal. O que não é normal é nunca medir.
Se a sua ficha técnica diz que o custo é 30% e o seu mês real fecha em 42%, essa diferença tem nome e endereço. Ela está em algum lugar entre o desperdício, o refeito e a perda — e o único jeito de reduzir é enxergar.
Nenhum desses custos, sozinho, quebra um negócio.
O problema é que eles são muitos, são pequenos, e todos eles moram no mesmo lugar: fora da sua planilha.
Colocar cada um deles na conta não vai fazer você gastar menos automaticamente. Vai fazer você cobrar certo — que é o que resolve.
Descubra o custo real de cada produto e defina preços com segurança.
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