LIÉGE CRIVELLARO

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Preço, custo e lucro

Você é a única pessoa do seu negócio que trabalha e não recebe

Se você trabalha na operação, você exerce uma função — e função se remunera. Como definir o seu salário sem quebrar o negócio.

Por Liége Crivellaro  ·  Leitura de 4 min

Se você contratasse alguém para produzir, você pagaria.

Se contratasse alguém para atender cliente, pagaria. Para entregar, pagaria. Para cuidar do Instagram, pagaria.

Você faz as quatro coisas. E quanto você recebe por isso?

Na maior parte das vezes, a resposta é: o que sobrar.

O problema de ser “o que sobrar”

Quando o seu salário é o que sobra, ele nunca sobra. Sempre aparece uma compra urgente, um equipamento que quebrou, um fornecedor para pagar.

Mas o problema maior é outro, e é estrutural: enquanto você não define um valor, o custo da sua mão de obra não existe na conta do negócio.

E um negócio que não conta o custo do trabalho de quem o toca está escondendo o número mais importante dele.

Ele parece viável. Ele até dá lucro no papel. Mas esse lucro é ilusório, porque foi construído em cima de uma pessoa trabalhando sem remuneração definida.

O teste é simples: se você precisasse contratar alguém amanhã para fazer tudo o que você faz, o negócio pagaria?

Se a resposta é não, você descobriu uma informação importante.

Salário e lucro não são a mesma coisa

Essa distinção resolve muita confusão.

Salário é o que você recebe pelo trabalho que executa dentro da empresa. Ele é uma despesa da empresa, como qualquer outro salário. Ele existe porque existe uma função sendo exercida.

Lucro é o que sobra depois de pagar tudo, inclusive o seu salário. Ele pertence ao negócio e serve para reserva, investimento e distribuição.

São dois dinheiros diferentes, com origens diferentes e destinos diferentes. Quando eles se misturam, você nunca sabe se o negócio está indo bem ou se está apenas te consumindo.

E vale a regra: quem trabalha na operação recebe pelo trabalho. Quem apenas é dono e não atua no dia a dia não recebe salário — recebe distribuição de lucro, se houver.

E se o negócio não suporta o valor que eu preciso?

Essa é a situação mais comum de todas, e eu quero tratar com honestidade: acontece muito, principalmente nos primeiros anos.

Mas a resposta não é deixar de definir o valor. É o contrário.

Defina mesmo assim. Coloque na conta. Calcule quanto o negócio precisaria faturar com aquele salário incluído.

A diferença entre esse número e o seu faturamento atual é o tamanho exato do desafio. E um desafio com tamanho conhecido é infinitamente melhor que uma angústia sem forma.

A partir daí você tem um plano de verdade: ajustar preço onde couber, reduzir custo onde der, vender mais dos produtos rentáveis. Com prazo. Chegar ao salário integral em seis meses é uma meta legítima.

Regras práticas

Quando você chegar ao valor, trate como qualquer salário:

Nada disso é sofisticado. É só tratamento profissional — o mesmo que você daria a qualquer pessoa que trabalhasse com você.

Inclusive a você.

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